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Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:
Na Folha Online:
O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), anunciou hoje a exoneração de três funcionários. São eles: Luiz Carlos Déa, da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer; Luiz Carlos Pinto, da Secretaria do Governo Municipal; e o assessor técnico Gilmar Luiz Fernandes.
Richa também determinou a perda de função gratificada de Cristiane Fonseca Ribeiro, chefe de gabinete da Secretaria de Trabalho, e de Nelson Bientinez Filho, coordenador de projetos da Secretaria de Esporte. Os cinco são ex-candidatos a vereador do PRTB.
O afastamento dos assessores e retirada de função gratificada ocorre após a divulgação de vídeo gravado em 2008 que mostra 24 candidatos a vereador do PRTB recebendo dinheiro que não foi contabilizado na campanha. O vídeo foi obtido pelo jornal "Gazeta do Povo". Trechos do material foram mostrados no "Fantástico", da Globo, do último domingo.
Na semana passada, Richa havia afastado outros três funcionários: o secretário municipal de Assuntos Metropolitanos, Manassés Oliveira, o superintendente da secretaria, Raul D'Araújo Santos, e Alexandre Gardolinski, que trabalhava na Secretaria do Trabalho. Gardolinski aparece no vídeo entregando dinheiro.
De acordo com reportagem da Agência Folha, 28 candidatos a vereador do PRTB desistiram de concorrer e preferiram apoiar Richa. A suspeita é que os candidatos do PRTB recebiam dinheiro para desistir da eleição e a promessa de um cargo na prefeitura se deixassem a disputa para apoiar o PSDB.
Na eleição, o PRTB se coligou com o PTB, indicando o vice na chapa do petebista Fabio Camargo, derrotado por Richa.
CPI
Vereadores de oposição devem protocolar hoje na Câmara Municipal de Curitiba pedido de instalação de CPI contra o prefeito da cidade, Beto Richa (PSDB). Na CPI, a oposição quer investigar a suspeita de caixa dois na campanha eleitoral de 2008.
A Câmara Municipal de Curitiba tem 38 vereadores. Para a CPI ser instalada são necessárias 13 assinaturas. A bancada de oposição diz contar com cinco nomes para o requerimento. Outras assinaturas serão buscadas nos próximos dias.
Outro lado
O coordenador financeiro da campanha de Richa, Fernando Ghignone, chamou a divulgação do material de "farsa" e "armação". Para ele, o comitê formado por dissidentes do PRTB tinha atuação independente e a coordenação de campanha tucana não tem acesso a informações de gastos desse tipo.
Ghignone diz que toda a prestação de contas foi encaminhada ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e aprovada. Afirma que 'jamais iria usar um expediente' como dar dinheiro em troca de apoio. O procurador regional eleitoral do TRE-PR, Néviton Guedes, diz que vai analisar o conteúdo do vídeo e então decidir se inicia uma ação sobre o caso.
Comento
Quando uma falcatrua é descoberta ou denunciada, o que se espera é que a pessoa que pode aplicar as punições imediatas o faça, não é mesmo? E, até onde entendo, é o que vem fazendo o prefeito Beto Richa. Acredito que, estivesse pessoalmente comprometido com o rolo, buscaria tergiversar para tentar se proteger. Não percebo qualquer receio nos seus atos até agora. Nesses casos, inaceitável é dizer coisas como:
- "Fulano não é um homem comum";
- "Isso não é caixa dois; são só recursos não-contabilizados";
- "fizemos o que todo mundo faz".
Em suma, se vocês quiserem mais desculpas desse jaez, consultem um petista.
O prefeito está atuando — ou, então, me digam se não é assim. "Ah, está protegendo tucano, né? Fosse um petista…" Bobagem. Vamos combinar assim: primeiro os petistas punem seus aliados que cometam falcatruas, e aí, então, os críticos podem reclamar do meu suposto tratamento diferenciado. Mas não é o que acontece, né? O tal Espinoza, envolvido no dossiê dos aloprados, conforme noticiou a Folha, saiu do noticiário policial para um cargo na Petrobras. Ricardo Berzoini, presidente do PT na época do tal dossiê, voltou à presidência do partido. Richa está punindo os que foram pegos com a boca na botija. Assim que o PT punir os de sua turma, em vez de lhes passar a mão na cabeça, a gente conversa.
A tramóia
Essa história de gravar fitas já está chegando, do ponto de vista do discurso, ao que eu chamaria de "Metalinguagem da Sem-Vergonhice". Esse caso do tal PRTB é um clássico. O sujeito já gravou a fita na esperança de usá-la depois — não, tudo indica, como uma proteção. Convenham, há no ar cheiro de chantagem malsucedida: "Ou me dá o que eu peço ou…"
"Ah, mas parece que a safadeza aconteceu mesmo". Pois é… Em circunstâncias assim, um tipo particular de safado acaba sempre se dando bem. Se ele consegue o que quer, ninguém fica sabendo de nada, e ele se aproveita do que amealhou. Se não consegue, joga titica no ventilador e vê parte de sua manobra ser bem-sucedida. Como a imprensa sai desse dilema e deixa de ser aliada objetiva do chantagista? Eis uma boa questão.
De todo modo, vale acompanhar o caso. O prefeito está fazendo a parte que lhe cabe. Que as demais instâncias façam as suas respectivas, com a punição dos eventuais crimes cometidos.
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