quarta-feira, 24 de junho de 2009

DROGAS - Eu bem que dei aula de “Massinha I” de lógica…

 
 

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via Reinaldo Azevedo | VEJA.com by Reinaldo Azevedo on 6/24/09

 Eu bem que tentei dar aula de "Massinha I" de lógica para autoridades e pensadores, não é? Mas sabem como isso é difícil. Quando Tio Rei escreve a respeito, alguns indagam: "É médico? É estudioso da área?" Não! Sou apenas lógico. Leiam o que vai abaixo. Volto depois:

Drogas devem continuar sendo ilegais, defende agência da ONU
A restrição do aumento do uso de substâncias tóxicas que causam dependência está na manutenção da ilegalidade desses produtos, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), ligada à ONU (Organização das Nações Unidas).

"O álcool e o tabaco causam mais mortes justamente porque são legais", afirmou o novo representante do UNODC no Brasil, Bo Mathiasen, durante o lançamento do relatório Relatório Mundial sobre Drogas 2009, no Palácio do Planalto.
O documento original foi lançado em Washington (EUA) e tem 314 páginas. Ele foi elaborado devido ao Dia Internacional contra o Tráfico e o Abuso de Drogas, lembrado na próxima sexta-feira (26).

O documento reúne dados estatísticos, enviados pelos governos dos países da ONU, e análises de tendência sobre a situação do mercado das drogas ilegais em todo o mundo, inclusive produção, tráfico e consumo.
A recomendação ocorre em um momento em que vários setores da sociedade civil defendem a legalização de drogas tidas como leves, como a maconha. De acordo com Roberto Filho, diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, a visão dos órgãos de repressão, em especial da PF, "é absolutamente alinhada" com a medida defendida pela UNODC.

"A experiência tem demonstrado e nos habilita a dizer que uma eventual liberação, mesmo de drogas consideradas leves, como a maconha, estimularia o consumo. E, como seria submetida a controles sanitários e impostos, não eliminaria a produção ilícita por organizações criminosas", afirma Filho.

Outras medidas citadas por Mathiensen envolvem agir proativamente, elaborar estratégias específicas para cada fluxo de drogas e fortalecer o trabalho internacional para prevenir o uso de drogas e combate ao tráfico.
Segundo o secretário nacional de Políticas sobre Drogas, Paulo Roberto Uchôa, o Brasil "tem um rumo [no combate às drogas], principalmente porque tem dois instrumentos; a lei e uma política nacional unificada". Uchoa ressaltou a importância de uma integração multissetorial, reduzindo a oferta e a demanda e unindo políticas de educação, de trabalho, de saúde e de cultura, entre outros.

A divulgação do relatório, "chama atenção para um problema que não é só do Brasil, é de todo o mundo e de todos nós", afirma Uchôa.
O secretário relativiza a importância do Brasil em relação às drogas na esfera mundial. Segundo ele, se por um lado o país é território de trânsito, por outro, sua produção é pequena e o que é produzido tem má qualidade a ponto de não atender os requisitos do mercado ilegal para exportação, ficando restrita ao consumo interno.

Comento
Quando o incrível ministro Carlos Minc resolveu trocar o verde que lhe cabe pelo verde que não lhe cabe — não legalmente ao menos — e participou da marcha da maconha, usando como pretexto o fato de que álcool e tabaco são legais, este não-especialista, mas que não abandona a lógica nem torturado pelo Bolero de Ravel, escreveu o texto MINC: A FALÊNCIA DA LÓGICA. Respondia (em azul) às suas bobagens (em vermelho):

"Se legalizasse a maconha, se fosse como álcool e cigarro, que fazem mal, a situação seria diferente. Se o cigarro fosse proibido, ao invés de ir ao armazém, você teria que subir o morro para comprar. Não quero dizer que minha tese é melhor ou pior do que a de ninguém, mas estamos em uma democracia", afirmou.
Analisemos a fala na esfera do puro conceito e depois de sua aplicação. Se a maconha for tratada, então, como cigarro e álcool, Minc tem de admitir que, junto, virá uma explosão de consumo — já que a legalidade das duas outras substâncias facilita o acesso dos consumidores. É matéria de lógica elementar.

Foi a primeira vez que tentei? Ah, não. Já o havia feito no texto UMA DROGA DE DEBATE, onde se lia:

"Seguindo a lei da oferta e da procura (…), o preço das drogas, com efeito, despencaria. E o resultado seria a massificação do consumo. Evidência empírica: o alastramento do baratíssimo crack entre os miseráveis. E isso com, vá lá, alguma repressão. Imaginem sem nenhuma."

Quando o relatório desta mesma entidade foi divulgado há exatos dois anos, com dados que apontavam aumento do consumo no Brasil, este incansável militante da lógica escreveu:

(…) Ao mesmo tempo em que o Brasil fecha o cerco às chamadas drogas legais e socialmente aceitas — cigarro e álcool —, aumenta sobremaneira a tolerância com as chamadas drogas ilícitas. Olhem bem: a subcultura da droga já chegou aos meios de comunicação e à academia e é permanentemente glamourizada. O Brasil inventou a teoria de que reprimir é inútil.

Mais: de tal sorte a lógica da tolerância entranhou-se nos meios formadores de opinião, que se vêem como coisas antitéticas, por exemplo, a repressão e a política de redução de danos. Tenho lido muito sobre o que se faz em alguns países. A redução de danos é voltada para quem ou quer deixar de ser viciado ou reconhece que, escravo do vício, precisa pôr-se sob controle, para não sucumbir. São políticas restritas, exercidas em grupos fechados, sob rígido controle, com os pacientes devidamente cadastrados. Num país rico como a Holanda, por exemplo, a droga jamais será um fator economicamente relevante: o tráfico não é um setor empregador, entendem? No Brasil, é.

Incúria do Estado com laxismo nos costumes dão nisso aí. A cada vez que o funk — lá vêm os protestos — aparecer glamourizado na televisão, como se tivesse algumas verdades eternas a nos dizer, o que se está fazendo é valorizar o universo subjetivo da droga, de que o tráfico é a manifestação objetiva.

O Brasil é realmente um país do balacobaco: aprendemos a destrinchar e a combater todas as mensagens subliminares que associavam o cigarro a uma vida interessante. Fizemos bem em assim proceder. Em seu lugar, botamos a cocaína, o ecstasy, a maconha…

Uma aposta: como reação ao relatório, aparecerão os gênios da causa para defender a descriminação das drogas, declarando a inutilidade da repressão. É aguardar para ver.

Volto a 2009
Essa gente aborrecida, vocês vão ver, fará agora o que fez há dois anos: pedir a descriminação das drogas.

O ódio à lógica é uma droga pesada.


 
 

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O prefeito de Curitiba, as punições e as diferenças

 
 

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via Reinaldo Azevedo | VEJA.com by Reinaldo Azevedo on 6/24/09

Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:
Na Folha Online:
O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), anunciou hoje a exoneração de três funcionários. São eles: Luiz Carlos Déa, da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer; Luiz Carlos Pinto, da Secretaria do Governo Municipal; e o assessor técnico Gilmar Luiz Fernandes.
Richa também determinou a perda de função gratificada de Cristiane Fonseca Ribeiro, chefe de gabinete da Secretaria de Trabalho, e de Nelson Bientinez Filho, coordenador de projetos da Secretaria de Esporte. Os cinco são ex-candidatos a vereador do PRTB.
O afastamento dos assessores e retirada de função gratificada ocorre após a divulgação de vídeo gravado em 2008 que mostra 24 candidatos a vereador do PRTB recebendo dinheiro que não foi contabilizado na campanha. O vídeo foi obtido pelo jornal "Gazeta do Povo". Trechos do material foram mostrados no "Fantástico", da Globo, do último domingo.
Na semana passada, Richa havia afastado outros três funcionários: o secretário municipal de Assuntos Metropolitanos, Manassés Oliveira, o superintendente da secretaria, Raul D'Araújo Santos, e Alexandre Gardolinski, que trabalhava na Secretaria do Trabalho. Gardolinski aparece no vídeo entregando dinheiro.
De acordo com reportagem da Agência Folha, 28 candidatos a vereador do PRTB desistiram de concorrer e preferiram apoiar Richa. A suspeita é que os candidatos do PRTB recebiam dinheiro para desistir da eleição e a promessa de um cargo na prefeitura se deixassem a disputa para apoiar o PSDB.
Na eleição, o PRTB se coligou com o PTB, indicando o vice na chapa do petebista Fabio Camargo, derrotado por Richa.

CPI
Vereadores de oposição devem protocolar hoje na Câmara Municipal de Curitiba pedido de instalação de CPI contra o prefeito da cidade, Beto Richa (PSDB). Na CPI, a oposição quer investigar a suspeita de caixa dois na campanha eleitoral de 2008.
 A Câmara Municipal de Curitiba tem 38 vereadores. Para a CPI ser instalada são necessárias 13 assinaturas. A bancada de oposição diz contar com cinco nomes para o requerimento. Outras assinaturas serão buscadas nos próximos dias.

Outro lado
O coordenador financeiro da campanha de Richa, Fernando Ghignone, chamou a divulgação do material de "farsa" e "armação". Para ele, o comitê formado por dissidentes do PRTB tinha atuação independente e a coordenação de campanha tucana não tem acesso a informações de gastos desse tipo.
Ghignone diz que toda a prestação de contas foi encaminhada ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e aprovada. Afirma que 'jamais iria usar um expediente' como dar dinheiro em troca de apoio. O procurador regional eleitoral do TRE-PR, Néviton Guedes, diz que vai analisar o conteúdo do vídeo e então decidir se inicia uma ação sobre o caso.

Comento
Quando uma falcatrua é descoberta ou denunciada, o que se espera é que a pessoa que pode aplicar as punições imediatas o faça, não é mesmo? E, até onde entendo, é o que vem fazendo o prefeito Beto Richa. Acredito que, estivesse pessoalmente comprometido com o rolo, buscaria tergiversar para tentar se proteger. Não percebo qualquer receio nos seus atos até agora. Nesses casos, inaceitável é dizer coisas como:
- "Fulano não é um homem comum";
- "Isso não é caixa dois; são só recursos não-contabilizados";
- "fizemos o que todo mundo faz".
Em suma, se vocês quiserem mais desculpas desse jaez, consultem um petista.

O prefeito está atuando — ou, então, me digam se não é assim. "Ah, está protegendo tucano, né? Fosse um petista…" Bobagem. Vamos combinar assim: primeiro os petistas punem seus aliados que cometam falcatruas, e aí, então, os críticos podem reclamar do meu suposto tratamento diferenciado. Mas não é o que acontece, né? O tal Espinoza, envolvido no dossiê dos aloprados, conforme noticiou a Folha, saiu do noticiário policial para um cargo na Petrobras. Ricardo Berzoini, presidente do PT na época do tal dossiê, voltou à presidência do partido. Richa está punindo os que foram pegos com a boca na botija. Assim que o PT punir os de sua turma, em vez de lhes passar a mão na cabeça, a gente conversa.

A tramóia
Essa história de gravar fitas já está chegando, do ponto de vista do discurso, ao que eu chamaria de "Metalinguagem da Sem-Vergonhice". Esse caso do tal PRTB é um clássico. O sujeito já gravou a fita na esperança de usá-la depois — não, tudo indica, como uma proteção. Convenham, há no ar cheiro de chantagem malsucedida: "Ou me dá o que eu peço ou…"

"Ah, mas parece que a safadeza aconteceu mesmo". Pois é… Em circunstâncias assim, um tipo particular de safado acaba sempre se dando bem. Se ele consegue o que quer, ninguém fica sabendo de nada, e ele se aproveita do que amealhou. Se não consegue, joga titica no ventilador e vê parte de sua manobra ser bem-sucedida. Como a imprensa sai desse dilema e deixa de ser aliada objetiva do chantagista? Eis uma boa questão.

De todo modo, vale acompanhar o caso. O prefeito está fazendo a parte que lhe cabe. Que as demais instâncias façam as suas respectivas, com a punição dos eventuais crimes cometidos.


 
 

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Senado Federal - mais um texto corajoso do Clemente

 
 

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via Blog do Cherto by GrowBiz on 6/24/09

Mais um texto corajoso de meu amigo e guru Clemente Nobrega. Assino embaixo!

O Senado Federal, a falta de higiene e a grande inovação brasileira [texto de Clemente Nobrega]

Li que o Senado Federal tem 10 mil funcionários para 81 senadores (será que li direito, gente?).

Soube também que contrataram a FGV para fazer propostas para a reorganização "da casa". Hmmmm, estou sentindo aquele cheiro no ar de novo…..

Há situações em gestão (como na vida) em que não é preciso técnica nem conhecimento, basta água e sabão. Se você não toma banho, não corta as unhas, não usa desodorante, não admira que as pessoas fujam de você. É falta de higiene,cara! Este blog tem opinião.

Dez mil funcionários para 81 senadores? O problema do Senado da República é falta de higiene. Água e sabão. Chega de análises! Não precisa consultoria! Vão tomar banho!

A grande inovação brasileira , para mim, seria o desmantelamento da mentalidade soma zero que impera no "tecido" do país. Lembrem-se, há contextos em que não se consegue não ser corrupto, mesmo que não se queira ser corrupto. NÃO DEPENDE SÓ DE SUA OPÇÃO COMO INDIVÍDUO, DEPENDE DO CONTEXTO EM QUE VOCÊ ESTÁ TAMBÉM.

Esta, para mim, é a tragédia brasileira.

Mudar essa mentalidade (que gente culta chama de "patrimonialista", mas que eu, ignorante das sutilezas sociológicas, chamo de "vagabunda" mesmo) exige um tipo de líder que não existe no Brasil. E não existe porque quem "chega lá" politicamente, tem que se comprometer com o "mau cheiro". Se não , não fica lá.

Ser popular não tem nada a ver com ser líder.

O tipo de liderança de que precisamos não será popular. Só pode ser exercida por uma geração de líderes que não tenha como prioridade a permanência no poder a qualquer custo. A proposta delas teria de ser o equivalente brasileiro ao "sangue, suor e lágrimas" de Winston Churchill.

Reformar os sistemas jurídico e político do Brasil é mais importante para a inovação brasileira do que políticas de "investimentos em inovação".

Essas "coisinhas" produziriam mais efeito do que todo o Pré-Sal, do que todos os investimentos em "tecnologia" que possamos fazer, porque atuariam diretamente no coração do problema: nosso enorme deficit da noção de confiança, o que se reflete na ausência de um destino compartilhado, o que leva tanto as elites como as massas a serem soma zero.

A relação de causa e efeito entre confiança e riqueza não é perfeita (pois confiança não é o único fator que determina os níveis de cooperação de um país) mas, cá pra nós, você não acha que já temos pistas suficientes para explicar nossa incompetência em inovar, não?

http://rpc.technorati.com/rpc/ping


 
 

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O patriota

 
 

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via (title unknown) by Brasileiros e Brasileiras on 6/10/09


Cerimônia em comemoração aos 10 anos do Ministério da Defesa na Esplanada. A banda da Marinha tocava o Hino Nacional. O motorista do ministro Nelson Jobim resolve esperar sentado no carro. Esse servidor aí da foto não gostou nada da atitude do motorista de Jobim e mandou: "Não pode sentar no carro, não. É nosso Hino, você tem que ficar de pé". O motorista respondeu: "Eu estou em serviço". O servidor balançou a cabeça em silêncio, como quem diz, e você deixa de ser cidadão, ou melhor, patriota, quando está trabalhando?

Cerimônia em comemoração aos 10 anos do Ministério da Defesa na Esplanada. A banda da Marinha tocava o Hino Nacional. O motorista do ministro Nelson Jobim resolve esperar sentado no carro. Esse servidor aí da foto não gostou nada da atitude do motorista de Jobim e mandou: "Não pode sentar no carro, não. É nosso Hino, você tem que ficar de pé". O motorista respondeu: "Eu estou em serviço". O servidor balançou a cabeça em silêncio, como quem diz, e você deixa de ser cidadão, ou melhor, patriota, quando está trabalhando?


 
 

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LIBERDADE, BURCA E VÉU

 
 

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via Reinaldo Azevedo | VEJA.com by Reinaldo Azevedo on 6/23/09

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, fez ontem duros ataques ao uso da burca, como vocês já devem ter lido. Já fui um admirador mais entusiasmado de Sarkozy. Hoje em dia, eu o considero, assim, um tanto… pop! Um grupo de congressistas franceses estuda criar uma lei proibindo o uso do traje feminino, defendido por algumas correntes do islamismo. Muitos leitores querem saber o que eu acho — na verdade, querem saber se sou favorável à proibição do uso da burca.

Não! Resolutamente, não! Considero a eventual proibição uma exacerbação da vontade do estado sobre a vontade do indivíduo.

Que se note: um cidadão francês tem de viver, claro, segundo as leis francesas. Se correntes do Islã impõem, por exemplo, o chamado casamento arranjado e se a noiva ou o noivo não aceitam a imposição, têm de ter seus direitos protegidos pelo estado. Do mesmo modo, uma mulher não pode ser obrigada a andar de burca se não quer andar de burca. Mas proibir? Aí não dá.

Nas áreas em que as exigências religiosas se chocam com os direitos garantidos pela Constituição francesa, é evidente que o estado tem de fazer valer a sua Carta. Em matéria de religião, a imposição deve ser proibida, não a escolha. Exemplifico, para quem ainda não ligou os pontos, com algo da minha religião: não se pode impor o crucifixo como sinal de adesão à crença, mas não se pode proibi-lo sem que isso caracterize uma inaceitável agressão à liberdade religiosa. E não estou igualando os símbolos, é claro.

A França não pode permitir — e isso tem acontecido, como Sarkozy sabe muito bem — que escolas, estabelecimentos comerciais e até academias de ginástica passem a ser reguladas pelas "leis do Islã". Isso tem de ser combatido, sim, e duramente. Mas não faz sentido proibir uma mulher de usar a burca se ela quer usar a burca — algumas querem, ainda que isso a muitos pareça impensável. Da mesma sorte, não considero correto que se proíba uma menina islâmica de usar o véu na escola. Por quê?

Conheço bem o debate sobre o caráter leigo e universalista do ensino etc e tal. Mas me parece bastante "universalista" reconhecer as escolhas individuais e familiares, desde que, REITERO, de acordo com as leis do país e os direitos garantidos na Constituição.

Há uma grande pressão na França para que até os livros de referência nas escolas sejam reescritos com a, digamos assim, versão islâmica da história etc e tal. Tanto quanto acho que a França não pode proibir a burca, acho que a burca, tomada aqui como símbolo, não pode impor coisa nenhuma à França e a suas escolas.

ENTENDERAM? A BURCA E O VÉU DEVEM CONTINUAR PERMITIDOS EM NOME DOS NOSSOS VALORES, NÃO DOS VALORES DELES.

Ademais, a proibição pode ser contraproducente e funcionar como elemento de mobilização.

Os islâmicos não têm de mudar as leis francesas. Nem as leis francesas têm de mudar por causa dos islâmicos. Eles devem é obedecê-las, a exemplo de qualquer outro grupo religioso.


 
 

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