terça-feira, 14 de abril de 2009

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Prioridades

Por Cesar Valente 14 de abril de 2009, às 07:58 Email This Post 

Por mais que o governo LHS queira que a gente esqueça do Diário Oficial do Estado, é impossível passar sem ele. Ali estão registros interessantíssimos que vão compondo um mosaico às vezes abstrato, às vezes figurativo, onde se pode ler, ou inferir, a forma como cada área é vista ou entendida.

Vejam só, por exemplo, estes fragmentos colhidos no Diário Oficial do último dia 24 de março. Todos relativos à operosa Secretaria do Turismo, Esporte e Cultura, capitaneada pelo Gilmar Knaesel e seus generosos Fundos disto e daquilo. O deputado-secretário, aliás, deve achar que eu tenho implicância com ele, mas na verdade não tenho. Nem o conheço muito bem. O problema é que muitas das numerosas coisas que são feitas sob a chancela de sua ampla pasta multimídia navegam naquele mar proceloso das grandes dúvidas do cidadão: pode? não pode? é lícito? é legal? por quê? a quem serve?

Voltando ao assunto:

a) R$ 435 mil para o Instituto Kat Schurmann tocar o projeto "Em busca do lobo solitário";

b) R$ 400 mil para a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Santa Catarina (ABIH-SC) tocar o projeto "Planeta Chocolate";

c) R$ 100 mil para o Moto Grupo Cães do Asfalto tocar o projeto "XI Motocão";

d) E, levando em conta os valores acima, adivinhem qual o montante do apoio concedido pelo Funcultural para que a Academia Catarinense de Letras (ACL) toque o projeto "Resgate dos Escritores Catarinenses"?

Segundo os proponentes, o objetivo do projeto é "homenagear através de obra literária patronos (da ACL) e escritores já falecidos". Nesta edição vão editar obras de Oscar Rosas (1864-1926) e Delminda Silveira de Sousa (1854-1932).

Hum… de fato, isso de livro de autor catarinense é mesmo coisa muito chata. Não tem a vibração, a adrenalina, o ronco de uma boa confraternização de motoqueiros veteranos. Ou o apelo emotivo-comercial de uma boa feira de Páscoa. Sem falar no prestígio que é participar da gama de financiadores dos projetos da internacionalmente conhecida família Schürmann.

Pois é, provavelmente por tudo isso, o projeto da ACL levou a fabulosa soma de R$ 25.500,00.

Bom, diante, por exemplo, da situação da Biblioteca Estadual, acho que até que foi bastante dinheiro. Dá perfeitamente para editar os dois livrinhos (que, no governo e na "base de apoio", ninguém vai ler mesmo) e ainda sobra um troco para o coquetel de lançamento. Tá mais que bom. Não sei do que essa gente ainda reclama…




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Murillo
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