quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

QUANDO A CLASSE SOCIAL DO CRIMINOSO É IMPORTANTE

Sempre lúcido o Reinaldo Azevedo

 
 

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via VEJA.com: Blog | Reinaldo Azevedo by Reinaldo Azevedo on 2/12/09

Alguns leitores me indagaram ontem por que destacar que as duas gangues de traficantes desbaratadas pela Polícia Federal eram lideradas e compostas por pessoas de classe média alta. Um deles: "Você também vai aderir a essa história de ficar dando a classe social dos criminosos?" Nesse caso, é relevante, sim. Aliás, relevantíssimo. E por várias razões:
1 - evidencia-se a tolice de ligar pobreza a crime, um preconceito de duas faces:
a – a face reacionária com sotaque reacionário – pobre tem natural tendência à criminalidade;
b – a face reacionária com sotaque esquerdista – o crime nasce da carência;

2 – o crime é uma escolha; quaisquer medidas que não levem esse dado em consideração serão inúteis, quando não forem contraproducentes;

3 – os presos vendiam drogas sintéticas, cada vez mais freqüentes nas balada e raves. E também cada vez mais toleradas. Não há excesso de repressão nesse caso, mas falta dela;

4 – criminosos, então, porque querem, sem qualquer desculpa sociológica para lhes limpar a barra moral, esses caras decidiram ganhar muito dinheiro sem trabalhar. Só mesmo na ilegalidade — e, em alguns casos, na política... Se as drogas fossem legais no país, tentariam alguma outra modalidade de crime.

 
 

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